“Âmem”, AmémO inverno passou, eis a primavera
Depois dos negros pensamentos, das longas hesitações, a fé nos ilumina, tal como, entre os ramos negros onde os brotos apontam a custo, o sol inquieto de julho desfere as ondas da claridade que fazem expandir as folhas, o doce raio, maternalmente avaliado pela natureza, segundo as forças dos jovens rebentos, penetra docemente no tronco.
As próprias nuvens conduzem a onda purificadora que leva as frondes novas, das tristezas do velho inverno. As arvores se fazem, mutuamente, um abrigo e um apoio contra os ventos mais impiedosos.
Também nós, se estivéssemos sós, poderíamos temer, diante das experiências passadas, que o nosso ciclo fosse definitivamente fechado em um inverno que não acabasse mais. Ficaríamos cativos nos nossos tristes pensamentos e a amargura de nossos julgamentos apareceria a nós como sabedoria. O nosso coração ferido recusaria toda a esperança.
Essa esperança que a juventude nos traz com alegria e com luz, conduzirá o nosso espírito para cumes onde reinam os raios benefícios da felicidade.
Imaginávamos que essa felicidade estava perdida e que seria inatingível.
O céu da primavera é por vezes ainda obscurecido pelas nuvens imprevistas.
Esperamos ainda, esperamos. Em breve os raios se farão mais quentes, o sol mais imperioso. Veremos o céu sem nuvens, todas as flores expandir-se-ão na natureza em festa. Então nós, como espírito, em plena posse de todos os nossos poderes, conheceremos o esplendido verão.
A grande comunhão do sol, da natureza e da vida, achará na nossa alma a sua expansão completa. Como a névoa do outono, as nossas últimas dúvidas fugirão ao esplendor da luz.






